De acordo com Susan Miller (a astróloga mais poderosa do planeta), brasileiros nascidos no primeiro semestre de 1970, independente de sexo, cor, religião, tem uma forte tendência a serem fanáticos por futebol. Essa mulher é danada mesmo. Não erra uma!
Eu nasci em 1970 e sou louca por futebol, com ‘forte tendência a ser fanática’. Sempre achei que o que me deixou assim, foram os gritos, rojões e aquelas cores verde e amarelo que eu mal enxergava aos três meses de idade e que de alguma forma ficaram gravados no meu subconsciente, quando o Brasil ganhou a copa. Todas essas coisas juntas, sempre foram para mim, sinônimo de alegria. Nunca, nem de longe, imaginei que esse meu fanatismo tinha alguma coisa a ver com os astros.
Quando descobri isso, meu deu uma baita vontade de saber como o céu estava configurado para o meu signo em 1977, ano em que me tornei Corinthiana. Cá pra nós, independente do alinhamento dos planetas, o que me influenciou mesmo, foi meu pai voltando do jogo em seu Fusca amarelo, vestindo a camisa do timão, a faixa de Campeão Paulista e empunhando a bandeira e cantando “Salve o Corinthians!”. Toda vizinhança esperava por ele, para comemorar junto. O que mais me intrigava, era que entre os vizinhos, estavam meus avós e tios, todos palmeirenses e todos emocionados com o “nosso” título. Nosso, porque aquilo parecia a Copa do mundo…
Aos 12 anos, vivi aquela outra grande emoção: a Copa de 1982 (me lembro pouco ou quase nada das Copas anteriores, mas em 82 tínhamos o Sócrates, Zico, Cerezzo, Valdir Perez, Eder, Falcão, Serginho – não consultei o Google, isso está gravado na minha memória e eu não guardo quase nada). Minha rua, assim como muitas outras pelo Brasil afora, teve o asfalto pintado de verde-amarelo, as casas com bandeiras nas portas. As igrejas, centros espíritas e terreiros de macumba, nunca foram tão frequentados. E nós não chegamos nem na final. Me perdoem a comparação, mas dor como aquela, só me lembro de ter sentido quando o Senna nos deixou. E o Senna, porra, era o Senna!
Em 1994, o tão sonhado título veio. Tenho um amigo que era correspondente na Itália. O mundo inteiro sabia que o melhor lugar do mundo para se estar naquele momento era o Brasil, mas depois, conversando com esse meu amigo, descobrimos que estar na Itália também foi beeeem legal. Imagina só, ver a cara dos italianos…Melhor nem falar.
Futebol é assim, não precisa fazer sentido. É como a fé. Pra que tentar explicar o inexplicável? É melhor relaxar e curtir. E Copa do mundo? Vixe!! É a hora de reunir os amigos, a família, beber demais, chorar feito criança, olhar as pernas dos jogadores. É natural que o Brasil siga em frente, afinal somos os melhores do mundo. Se ficamos para trás, botamos a culpa no Galvão Bueno, no técnico, no juiz, no governo, na Susan Miller, por que não?
Em 2014, exceto pela “indústria” (que faz um esforço insano para nos fazer entrar no clima), ninguém parece sentir nada, além da raiva e do desprezo pelo fato de que a Copa vai ser aqui, na minha casa. Eu mesma, que nem tenho culpa de ser tão fanática por futebol (afinal a culpa é da Susan Miller), tento me manter calada, porque senão as ‘patrulhas ideológicas’ vão me taxar de alienada, cabeça de vento e sabe-se lá mais o que. Liberdade de expressão sim, desde que vigiada.
Mas não é que, contra tudo e contra todos, na surdina, sem precisar concorrer a uma TV de 300 polegadas ou a uma viagem à Disney, a febre das febres é o álbum da Copa? Amanhã é dia de troca no colégio do meu filho, data oficialmente instituída. Domingo, das 10 às 14:00, em frente a uma banca do seu bairro, você verá algumas centenas de pessoas (de todas as idades), reunidas para ‘trocar figurinhas’. Os aplicativos que ajudam você a controlar seus ‘cromos’ repetidos, estão bombando na Apple Store. A cada dia abre-se uma nova página no Facebook ou no Instagram.
Meu filho pula de alegria quando tira uma figurinha do Brasil e ontem quando ganhou a do Messi (seu ídolo), um flash rápido passou pela minha cabeça: os deuses estarão aqui, com a bola em seus pés…
Então, sem culpa e sem vergonha, vou me vestir de verde –amarelo, vou honrar as cores da minha bandeira e chorar quando tocar o Hino Nacional. Vou torcer para que tudo dê certo, vou querer que tudo dê certo e acima de tudo, vou acreditar. Afinal, está escrito nas estrelas (aquelas, da camisa da seleção!)
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