O pausa4fun só voltaria depois da Copa, mas eu me segurei durante todos esses dias, porque se este é um espaço para celebrar o que nos faz feliz, eu tinha assunto que não acabava mais. Durante toda aquela euforia, algumas coisas bem tristes aconteceram (e de novo, não vou falar delas), e a realidade do nosso dia a dia parecia firme no propósito de me trazer de volta ao chão. Mesmo em nossos piores pesadelos, não imaginávamos virar enredo de tango e pior, um tango brega.
Ainda de luto, de ressaca e evitando o pensamento de que ‘ainda pode ficar pior’, resolvi falar porque engrossei o coro a favor da Copa e porque essa ainda é a Copa das Copas.
Mesmo com muita vontade, nunca fui a uma Copa do Mundo. O mais perto que cheguei, foi ouvindo o relato de amigos que foram para a Copa da Alemanha e assistindo a um dos filmes do Harry Potter, onde se passava a “Copa do Mundo de Quadribol”.
Dessa vez, além de estar em casa, com tempo para assistir tudo (fato inédito em toda a minha vida), fui a dois jogos (infelizmente nenhum do Brasil), assisti outro direto da Fifa Fan Fest em Salvador e festejei, fantasiada de verde amarelo, na casa de amigos e parentes.
Por que eu comparei com a Copa de Quadribol? Porque foi mágico, emocionante, divertido, limpo, organizado. A expressão de alegria e contentamento, estampada na cara de gringos e brasileiros, o nosso esforço individual e o desejo contido (até dos mais céticos), de que tudo desse certo, foi impressionante. De repente, o nosso pessimismo foi substituído por #orgulho de ser brasileiro, #vai lá Brasil, #força Brasil, #amo meu país. E se a gente conseguiu fazer piada quando o Airton Senna morreu, como não faríamos com a nossa derrota histórica?
É na dor que se cresce. Eu acho que a Copa do Mundo nos deu lições de civilidade, educação e respeito. Nos deu a chance de vivermos, por alguns dias, o Brasil que queremos. E, sinto muito se eu bato na mesma tecla sempre, mas a culpa não é das estrelas. Se o nosso discurso como cidadãos, continuar a ser o de culpar os outros, vamos continuar a retroceder 50 anos em 5.
Quando um casamento ou namoro acaba, temos a tendência de dizer que era tudo uma porcaria, o cara passa de bom moço a vilão numa velocidade acachapante. Mas o que ninguém conta de verdade, é que esta raiva é fruto do amor e da saudade.
Não vou negar. Vou morrer de saudades. Foi quase infinito, enquanto durou.
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