Existe vida além das redes sociais?

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Li o seguinte post no Facebook: “Parem de morrer! Meu feed de notícias está parecendo obituário!”

A morte é um sucesso nas redes sociais. Todo mundo é amigo do morto, manda os pêsames para a família, ressuscita frases supostamente ditas pelos falecidos, compartilham sua dor, trocam suas fotos de perfil por faixas de luto. E dá-lhe “curtir” o momento.

É assim que se faz, e se você não curtir, comentar ou compartilhar, é um completo alienado. Incrivelmente, nessa enxurrada de tragédias dos últimos dois dias, acabamos por descobrir que rede social também é cultura.

Vejam o exemplo de Lauren Bacall: lindíssima, talentosa, um verdadeiro ícone do cinema. Considerando a faixa etária média dos usuários do Facebook e do Instagram, me espantou demais a quantidade de fotos e citações que apareceram no meu feed de notícias. Nunca vi tantas fotos do casal BB (Bogart/ Bacall). Meu humor ácido me dizia, a cada uma, que a maioria das pessoas não sabia nem quem ele era, muito menos que eles foram casados. Preconceito puro, digo a mim mesma.

Infelizmente, nem deu tempo de “curtir” direito a morte dela, porque chegou outra bomba: a de Robin Williams. Sim, eu fiquei sabendo pelo Facebook, a rede de notícias mais rápida da e-galáxia. Chocante, morte trágica, surpreendente, daquelas que são hit absoluto. Essa valia trocar a foto do perfil pela faixa de luto, usar aquela frase pronta do Facebook, que diz assim: “fulano de tal está se sentindo triste” ou repetir sem parar as tais hashtags: #saudadesRobinWilliams, #ripRobinWilliams, #RobinWilliams suicídio.

Revisitamos sua filmografia, pipocaram especialistas em depressão, em palhaços tristes, destrinchamos seus divórcios e sua situação financeira. Não sei dizer se a história era triste demais, ou se aos poucos a “etiqueta” e os “bons modos” venceram. Não vi nenhuma piadinha infame e de mau gosto, que eram muito frequentes anos atrás (ou seriam meses?).

P.A.D.D!! (É a abreviação de “Pelo Amor de Deus!”). Luto tem que ser vivido, entendido, refletido… e me cai o avião do Eduardo Campos? É horrível, eu sei, mas meu primeiro pensamento foi: Minha Nossa, tem que ser PSDB ou PT, não tem mais outro jeito?

Tudo bem, eu estava no carro, tinha acabado de ouvir a notícia e estava tentando entender o que tinha acontecido. Outra tragédia, pior ainda, se é que dá para comparar uma tragédia com outra. Nunca, em tempo algum, eu soube que ele tinha tantos eleitores. E a audiência do JN? Todo mundo assistiu ao Jornal Nacional do dia anterior, todo mundo conhecia a proposta de governo dele. Volto a dizer: rede social também é cultura.

Vamos lá. Deixando toda a minha ironia de lado, talvez inadequada e fora de hora, as redes sociais vieram para dominar o mundo. Nem me venham com previsões apocalípticas de que o Facebook vai acabar, o Twitter morreu ou que o Instagram vai durar pouco. Essa coisa já faz parte da nossa cultura, vai ficar impressa no nosso DNA, não tem mais volta.

Tenho amigos com filhos adolescentes, e todos eles reclamam da mesma coisa: meus filhos não têm relações saudáveis, não vejo os amigos dos meus filhos, eles não saem do computador. Nem considero isso um conflito de gerações, porque esses meus amigos tampouco saem do computador.

A garotada é muito mais sociável, inteligente, brincalhona, multitarefa do que a gente imagina. A diferença é que é tudo virtual. E assim como tudo o que consumimos nesta vida, há que se separar o lixo do que é bom.

Sinto muito se vou decepcionar ou contrariar alguns: acredito na vida inteligente nas redes. Basta procurar com critério e com cuidado.

*** As crônicas do pausa4fun, desde a última semana são publicadas também  na página de crônicas da KBR digital e passa a fazer parte do projeto SINGLES KBR, toda semana disponível na Amazon.com.br.

http://www.kbrdigital.com.br/blog/existe-vida-alem-das-redes-sociais/


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