Meu nome é Andréa Lopes, sou profissional de marketing e vendas e em 2014 me aventurei pelo mercado editorial, desta vez como autora.
O romance A cor dos olhos teus, foi lançado no final de julho de 2014 e tenho orgulho em dizer que nestes quase seis meses de vida, perdi a modéstia e assumo que ele tem feito carreira “espetacular”. É uma ousadia sim dizer isso, mas quem conhece este mercado sabe de seus números irrisórios, principalmente se considerarmos que se trata de um autor desconhecido, de uma editora digital pequena e de um segmento extremamente competitivo no mundo dos livros, os romances “new adult”.
Dito isso, eu gostaria de compartilhar um pouco desta louca experiência que é o ofício de autor nos tempos da interatividade total.
Estou propositadamente pulando aqui a parte difícil e cheia de ilusões, aquela onde você tem seu livro pronto e está em busca de uma editora (normalmente queremos uma grande e tradicional editora, porque afinal, temos uma obra sensacional e única nas mãos). Pulo esta parte, porque ela envolve caminhos tortuosos, decisões difíceis e muita, muita frustração com este mercado.
Mas enfim, você conseguiu publicar seu livro e, sonho realizado, se depara com outra triste realidade: se é um livro digital, seu único ponto de venda, a Amazon (que detém 95% do mercado de livros digitais), lança diariamente centenas de livros, de todos os temas possíveis e imagináveis e em todas as faixas e preço. Se é impresso e digital (uma grande vantagem), você também vai competir com milhares de títulos nas prateleiras e as prioridades das livrarias, lembrando sempre que estar bem posicionado em um ponto de venda, não significa estar assim nos outros 200, 300, 2.980.
Bem vindo à triste realidade. Que me desculpem meus caros editores, mas esta parte, ninguém ousa contar ao sonhador, ops, ao escritor.
Se você achou que a ducha de água fria estava gelada, eu tenho um pouco mais de água para despejar.
Querido autor, já devem ter te contado que no mundo em que vivemos, escrever é a arte de postar, twittar, dar e receber likes, interagir. Mas não sei se te contaram que estes novos “verbos” só tem conjugação na primeira pessoa, porque se “tu postares por mim”, seus seguidores fatalmente saberão.
Outra coisa: você pode não gostar de interagir com leitores, mas você publica exatamente para quem? Se não foi pelo leitor, sugiro não publicar, dá menos dor de cabeça.
Mas e aquela pergunta, lá do início?
Minha resposta para ela: bom senso, humildade e água benta.
Não tenho a fórmula mágica (se tivesse, estaria rica), mas posso compartilhar algumas coisas que aprendi.
Primeira dica: não acredite em milagres e milagreiros. Busque resultados.
Você é inteligente, escreveu um livro. É criativo, teve uma ideia e conseguiu colocá-la no papel. É persistente, conseguiu publicar. Se você fez tudo isso, invista essas qualidades estudando um pouco sobre o mercado. Você sabe mais que qualquer um, do que trata seu livro, o perfil do seu leitor, onde ele está. Se não tem todas as respostas prontas, pesquise, mergulhe, pergunte, troque. Não se iluda: sua editora fará pouco por você e o que fizer será no regime ‘pastelaria’.
Segunda dica: Forme sua base de leitores, antes de lançar seu livro. Plante, regue, colha lá na frente. Isso parece óbvio? Só que não.
Terceira dica: redes sociais. Você vai precisar delas.
Tá. “Mas eu não entendo nada de tecnologia”. Então aprenda. Ou morra na praia.
“Como é que eu vou competir com essa molecada que publica seus livros sem enredo, com erros grosseiros de português, capas de mau gosto e que ainda assim ficam na lista dos mais vendidos da Amazon e conseguem ter milhões (isso mesmo!), milhões de acessos no Whattpadd?”
Se você não sabe o que é Whatpadd ou Widbook, preocupe-se. Mas vamos lá, como competir com eles? Não competindo, mas aprendendo, porque sim, torça o nariz, diga que eles são uma raça ruim, mas eles têm muito a ensinar.
Devo fazer um site? Uma Fan Page? Com nome de autor ou do livro? Noite de lançamento? Invisto numa tiragem?
As perguntas nunca vão acabar (nem devem), mas não seja reativo. Planeje, pense no assunto e aja! Não fique de braços cruzados, esperando que seus leitores te procurem, porque eles definitivamente tem mais o que fazer.
Nos próximos posts, quero compartilhar com vocês o pouco que aprendi (no exercício diário de errar e acertar).
Certo. Vocês devem estar se perguntando sobre os tais ‘resultados’. Eu respondo: optei por divulgar o livro e criei site, fan page no Facebook, perfil no Instagram e no Twitter. São mais de 8.000 fãs no Facebook, 600 seguidores no Instagram (80% blogueiros literários) e um punhado irrelevante no Twitter. Aproximadamente 40 resenhas em blogs literários, voltados para o público New Adult.
Em janeiro, após 6 meses do lançamento, devo atingir os 1.000 exemplares vendidos e agora começo a planejar o lançamento do próximo livro.
É claro que o livro é bom, mas muitos são. O nome desse resultado, sem ‘truques’ é trabalho (daqueles que te arrancam sangue, suor e lágrimas).
Se vale a pena? SIM.
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Excelente artigo! Parabéns! Se você quiser conhecer um pouco do meu trabalho acesse o meu Blog http://orescator.blogspot.com.br/
Um abraço! Paz!
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