Voluntário
. Aquele que não é forçado, que só depende da vontade
. que se pode optar por fazer ou não.

Meu amigo foi voluntário nas Olimpíadas.
Quando ele nos disse isso, há alguns anos, achamos que era só mais uma excentricidade. Mas ele foi em frente. Nenhum amigo se dispôs a acompanha-lo, afinal, faltavam alguns anos para sermos contaminados pelo espírito olímpico.
Fez a inscrição, fez os testes, passou pela ansiedade de saber se seria ou não chamado. E foi.
O voluntário não escolhe o que vai fazer, em qual esporte vai trabalhar, se no período da manhã, tarde ou noite. Ele é designado. Ele vai.
Mas o que é que move esses caras?
Eu acho que eles foram tocados. Eles confiaram, tinham certeza, enquanto nós, pobres mortais duvidávamos.
Tá certo. Nós tínhamos motivos. Fui para o Rio a trabalho, no início do ano, e a cidade parecia um canteiro de obras. Mais de um taxista me disse que boa parte das obras ainda eram coisas inacabadas da Copa, o que dizer então das obras das Olimpíadas.
Os taxistas não acreditavam, mas os voluntários, sim.
Veio o impeachment, a violência, a saúde pública, o caos e o estado de calamidade no Rio, por conta de problemas financeiros e da Olimpíada. Ninguém mais acreditava, exceto eles, os voluntários.
E então veio o dia de pegar o crachá, o uniforme e sentir o coração batendo mais forte. A cidade já estava em pleno aquecimento, mas quer saber? Ninguém ainda acreditava, só eles.
Lá se foi meu amigo, rumo à cidade maravilhosa, em mais uma aventura patriota. Ainda não estávamos hipnotizados e extasiados pelo espetáculo inesquecível da abertura, ainda não sabíamos que o Fernando Meirelles, que a Gisele Bundchen, o Benjor, o Caetano e o Gil eram brasileiros e motivo de orgulho. Não tínhamos ideia do quanto somos bonitos, cheios de charme, e ginga para receber os gringos em nossa casa.
Mas veio a abertura e finalmente fomos ‘tocados’.
Os ingressos começaram a ser vendidos, os deuses atletas desceram do Olimpo e fomos inundados com a vontade de receber bem em nossa casa, de mostrar nossa música, nosso sorriso, aquela alegria infinita que todos os brasileiros trazem dentro de si.
Meu amigo nos inundou com fotos, vídeos e nós, daqui, sentimos um misto de orgulho com uma pontada de inveja, porque não fomos tocados na hora certa.
Quando a gente pergunta com foi, ele só sabe dizer que não tem como explicar, que era tudo que ele tinha imaginado, só que muito mais intenso. Trabalhou muito, andou demais pela imensidão do Parque Olímpico, mas foi totalmente recompensado. Do lado de cá, de quem não viveu, a imaginação corre solta.
As Olimpíadas acabaram, mas o orgulho ficou. Orgulho de ser brasileiro, orgulho de ter um amigo assim, um voluntário, alguém que realizou um desejo, o desejo de ajudar.
Obrigada amigo, por fazer parte da minha vida. Quando eu crescer. Quero ser como você.
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