Não sei exatamente como começou ou se, de fato, houve um começo. O que consigo me lembrar é que, entre 2017 e 2018, uma maratona de consultas, exames e terapias se somou à minha nada tranquila rotina.
A primeira parada foi no ortopedista, por causa das dores intensas nas articulações das pernas, joelhos e quadris. Depois, veio outra especialidade ortopédica, pois as dores no pescoço, ombros e lombar se tornaram insuportáveis. Eu estava no início da menopausa, então meu ginecologista entrou no time – talvez as alterações hormonais fossem as culpadas. A endocrinologista também participou, já que meu hipotireoidismo poderia ser o verdadeiro vilão.
Cada especialista parecia apontar para uma direção diferente. Muitas hipóteses, nenhuma resposta definitiva. Meus sintomas podiam ser reflexo da menopausa, da perda de massa muscular devido à bariátrica, da sobreposição de doenças crônicas (tireoidite de Hashimoto, artrite reumatoide e artrose), da depressão… ou simplesmente frescura.
A dor era incapacitante. Meu corpo parecia carregar um peso de toneladas. Doía ao toque. Eu não conseguia ficar muito tempo de pé, tampouco deitada. Dormir era um desafio e, a cada manhã, eu acordava ainda mais cansada.
Enquanto buscava respostas para a dor, a vida não parava. Como tantas outras mulheres, exerço múltiplos papéis: trabalho pelo menos 40 horas semanais, administro uma casa, sou casada, mãe de dois adolescentes e filha de pais que exigem cuidados. Preciso administrar meu tempo (artigo de luxo), manter a disposição e um bom humor indispensável para minha sanidade.
Mas eu estava perdendo a guerra.
Tinha vergonha de reclamar da dor, porque eu estava sempre com dor.
Sempre. O tempo todo. Todo tempo.
Eu chorava sozinha, porque sentia uma dor física e emocional.
Como explicar algo que nunca passa, que não tem um motivo aparente e que, para quem olha de fora, parece exagero? Eu não queria ser vista como frágil, como aquela pessoa que só fala de doença, que suga a energia dos outros. Então, eu sorria, dizia que estava tudo bem, fazia piada. Mas, por dentro, meu corpo gritava.
E eu me sentia culpada.
Culpada por não dar conta de tudo como antes. Culpada por cancelar compromissos, por evitar abraços, por precisar descansar quando o mundo parecia exigir que eu seguisse em frente sem reclamar.
A imagem que sempre projetei – de uma mulher forte, otimista, bem-humorada – parecia uma roupa apertada demais. Eu tentava vesti-la, mas ela já não servia. E aceitar isso doía quase tanto quanto a dor física.
Até que um dos médicos me olhou nos olhos e, pasmem, acreditou em mim. Sim, porque, muitas vezes, eu me sentia ignorada e desacreditada. Ele me receitou uma medicação controlada para os períodos de crise – o que me salvou diversas vezes.
No final de 2018, uma reumatologista entrou em cena e, enfim, veio o diagnóstico: Fibromialgia.
A partir daí, começou um jogo de tentativa e erro, até chegarmos a um tratamento multidisciplinar, que combina medicamentos, fisioterapia e pilates – o que, no meu caso, tem funcionado.
Quase sete anos depois, tenho a doença sob controle. Conheço boa parte dos gatilhos, e as crises são mais espaçadas.
Mas já caí na armadilha de achar que estava tudo bem. Esqueci que a fibromialgia é uma doença crônica (portanto, sem cura) e relaxei nos cuidados. Cheguei até a duvidar do diagnóstico, porque me sentia ótima. Resultado? Um efeito rebote e todas as dores de volta, ainda mais intensas.
Lição aprendida.
Agora, estamos em 2025 e temos até um mês inteiro para falar, aprender e conscientizar sobre doenças crônicas e quase invisíveis, entre elas, a Fibromialgia.
Não é uma doença da moda. Minha mãe recebeu o diagnóstico em 2007, mas não soube explicar o que era. A OMS reconheceu a Fibromialgia em 2004. Desde 2013, a cantora Lady Gaga não apenas canta, mas também usa sua voz para conscientizar sobre essa condição.
Somos parte dos 2,5% da população mundial, em sua maioria mulheres, acometidas por uma doença sem causa definida, frequentemente estigmatizada como algo “emocional” – ou seja, “dor imaginária”.
Mas FIBROMIALGIA não é frescura, não é imaginação. É uma batalha diária contra uma dor invisível.
Porque a dor, o cansaço, as limitações, são reais.
E falar sobre isso não é apenas necessário. É urgente.
Quanto mais soubermos, mais poderemos combater o estigma e abrir caminhos para a empatia e compreensão.
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