Os bons conselhos

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Dizem que o homem é o único animal que adora dar conselhos, enquanto que os outros seres vivos dão exemplos.

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Atire a primeira pedra quem nunca leu  “10 lições para blá blá blá” ou “Como fazer  tal coisa em 10 passos” . Em geral, as listas “How to” são uma grande decepção, mesmo assim, é difícil resistir.

Dito isso, gostaria de dizer que não tenho conselhos a dar, mas experiências a compartilhar. Neste caso, as experiências só terão utilidade se você, assim como eu, resolveu se lançar sozinho no projeto de publicar seu livro, sem ter a mínima ideia de ‘por onde eu começo” e “onde eu piso”.

Minha experiência não é grande, longe disso. Publiquei um único livro, no formato digital, através de uma editora digital. Durante várias semanas (8 ou 9), o livro figurou  entre os 10 mais vendidos da Amazon na categoria “romance”, aquela, que é disputada a tapa. Tenho uma fan page com 10.000 fãs e um Instagram que fica oscilando nos 1.000 seguidores (para cima e para baixo). Consegui uma razoável exposição na blogosfera e vendi  feito gente grande  até agora,  9 meses após o  lançamento. Se você não faz ideia do que é vender bem ou mal já tenho um conselho a dar:

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Há dois meses, assinei com uma editora tradicional e devo relançar meu romance, agora também no formato impresso. Esta é uma experiência nova, portanto com pouca coisa a compartilhar.

Não estou contando para me vangloriar, afinal não carrego nenhum medalhão do mercado editorial, mas neste processo todo, me cansei de ler conselhos e dicas de gente que tem mil soluções brilhantes, com pouco efeito prático. No mínimo, estou te contando o que resultou da minha aventura até aqui e passo a relatar agora, o que aprendi durante a jornada.

Descobri (e não foi da melhor maneira possível), que boa parte dos ‘novos autores’, resolvem se aventurar no mundo da literatura porque gostam de escrever, põem em prática essa vontade e seus amigos e familiares são seus fãs e incentivadores. No meu caso, quando criei coragem para mostrar algumas coisas para meus amigos, eu já treinava há alguns anos em grupos fechados e sites de fan-fictions.  A primeira barreira a vencer foi a da timidez e essa é uma questão pessoal que ainda preciso trabalhar.

É a tal história: tem gente que nasceu artista e ser artista (além de ter talento),  é não ter medo de se expor. Eu não nasci assim e, na meia idade, você nem é tão jovem para ser inconsequente, nem é tão velho para ligar o ‘foda-se’.
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Resolvi (depois de muito incentivada pelo meu “fã clube pessoal”), que iria publicar. Isso mesmo, achei que fosse fácil, afinal vejo cada coisa horrorosa nas livrarias, porque a minha fantástica estória não seria ‘descoberta’ por um editor caça-talentos  que me transformaria na próxima autora famosa que começou depois dos 40?

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Depois de doses cavalares de realidade, resolvi arregaçar as mangas e foi então que a coisa ficou boa.

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Da enormidade de listas de “how to” que encontrei em minhas pesquisas, adotei o seguinte:

  • Registre seu livro na Biblioteca Nacional
    • Registrar o livro me deu a sensação incrível de que meu projeto estava a um passo de existir. Foi preciso imprimir, dar nome, classificá-lo, mas ter o seu próprio número registrado, não tem preço.
  • Selecione editoras que tenham a linha editorial do seu livro.
    • Existem listas e listas prontas na web. Entre nos sites, navegue, reserve um bom tempo para isso.
    • Selecionadas as editoras, me deparei com outro problema: cada uma delas recebe seu material de uma forma própria, várias têm formulários com diferentes pedidos e muitas, muitas, já avisam de cara que não recebem material para análise.

Se vale a pena enviar para as editoras? Respondo com outra pergunta: por que não?

Mas aqui vai uma dica valiosa:

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Eu acreditava que sabia escrever. Isso até o dia em que minha revisora, crítica até o ultimo fio de cabelo, marcou uma conversa para entregar o material “revisado”.

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Escolha um bom revisor, se você não conhece ninguém peça indicação em  fóruns ou use o Google (minha lição número 2). Feita a revisão, acate só aquilo que te deixar confortável. A fala do seu personagem pode estar ‘errada’, mas se é assim que ele fala, paciência. Cuidado para que a revisão não transforme seu texto em um Frankenstein. Recebi este conselho de uma editora super experiente, um dia depois de ter recebido meu texto revisado e ter concluído que meu trabalho era um lixo. Prepare-se para críticas e seja esperto: aprenda com elas e deixe de ‘mimimi’.

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Eu não fiz isso, portanto se alguém tem uma experiência ruim neste quesito, me conte. Se pudesse, voltar atrás, faria com certeza. Além da revisão, faça a ‘preparação de texto’ e uma sinopse com um bom profissional.  Não tem grana? Faça um orçamento, adie um pouco mais o seu sonho, controle sua ansiedade e faça as coisas direitinho.  Não é demérito nenhum profissionalizar seu original antes que ele seja apreciado pelo mundo.

Não faço ideia se as editoras lêem o material que recebem, mas se lêem, com certeza é uma rápida olhadinha na sinopse e uma folheada no material impresso (se for digital, um ou outro page down). Acredite na Lei de Murphy: qualquer errinho vai saltar aos olhos. Uma sinopse bem feita pode ser a diferença entre seu original ir para a pilha da esquerda ou da direita. Portanto, aumente suas chances.

Certo. Registrou seu texto, revisou, tem o material preparado, sinopse perfeita, a lista das editoras e mandou para cada uma delas de acordo com suas regras.  Agora é só aguardar. Ou não.

O que aconteceu comigo:

  • A grande maioria das editoras, nem sequer respondeu.
  • Algumas, muito simpáticas, responderam no seu tempo, dizendo que não se interessavam pelo material.
  • Outras, responderam rapidamente: sim! Queremos você! Seu texto foi aprovado pelo nosso “Conselho editorial”.

Fala sério! O que você acha que acontece com uma pessoa que manda seu livro para uma editora e ela responde que te quer?  E quando não é só uma, mas quatro? Você pira, é óbvio.

Uma troca de email aqui, outra acolá e mistério solucionado: por uma módica quantia (mais ou menos o valor de um carro – o mais barato provavelmente – mas um carro),  eles publicam seu livro.

Não. Isso não está no Google, aliás não está escrito em lugar nenhum. Não vou dizer quais as editoras, mas posso soprar que são grandes e conhecidas. Não paguei.

Não paguei porque é caro (eu não tinha grana), superfaturado, risco zero para a editora e o investimento todo seu.

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Descobri que muitos grandes e reconhecidos autores pagaram pelo seu primeiro livro, talvez até o segundo.  Isso não é demérito.  A diferença é que ninguém conta e o cara quando vai dar uma entrevista, tem sempre  uma estória fantástica na manga (afinal ele é um escritor criativo).

Mas se você vai fazer sacrifícios, se sua grana for suada, se vai pedir empréstimo… Pense duas, três, cem vezes. É um investimento sem retorno, aceite isso. Se não aceita, faça as contas ou peça para alguém bem chato te ajudar com isso.

Os caminhos para quem não tem dinheiro? Trabalho, trabalho e mais trabalho.

Convenhamos, para a base da pirâmide, é assim que as coisas funcionam.  No meu caso, o trabalho consistiu em:

  • Participar de concursos literários. Veja bem: com o mínimo de bom senso, qualquer um sabe que meu romance não é para concursos literários. Mesmo assim, arrisquei: jurados precisam ler os livros e quem sabe um deles  gosta?
  • Pesquisar blogs literários: quem são, porque são e quem sabe, ter o seu próprio blog.  Eu fiz isso e o relacionamento com a blogosfera é complexo, sensível, leva tempo, mas tenha isso em mente: não é à toa que todas s grandes editoras fecham anualmente sua grade de parcerias com blogs literários. Eles tem público, seguidores, leitores que levam em consideração seus conselhos para escolherem seu próximo livro. É gente que trabalha pela literatura, porque gostam, porque só quem ganha dinheiro com blog é o segmento de moda e fitness.
  • Autopublicação: na época, não optei por este caminho, porque sou insegura e a qualidade dos lançamentos é péssima (em sua grande maioria). Achei que ficaria nivelada por baixo, mas mudei de opinião. Um bom livro e um bom trabalho de divulgação fazem toda diferença e as editoras digitais cuidam da parte burocrática e tecnológica, mas entendem zero de divulgação. Aponte-me uma que faz um bom trabalho. Ficarei muito feliz em saber.
  • Aprender sobre este mercado (um pouco além dos números). Fiz vários cursos e oficinas e aqui, tenho que dizer:  tem muita coisa ruim por aí, muitas oficinas caça-níqueis. Ainda quero fazer um post só sobre essse tema. Desconfie de preços baixos e investigue fora do programa, quem vai dar os cursos. Também não vou dizer quais os cursos “roubada”, porque dei meu feed back quando era hora, mas posso recomendar sem medo, todos os workshops da Revista Cult, porque nenhum deixou a desejar.
  • Cuidado com os ‘conselheiros profissionais’ deste mercado (na verdade, de qualquer mercado). Procure saber quais as estórias de sucesso destes caras, que livros eles publicaram ou quem eles realmente ajudaram a publicar.
  • Se você encontrar um agente literário, me conta. Concluí que mosca branca, enterro de anão, homem santo, tudo é mais fácil de ser encontrado do que o tal ”agente”.
  • Tem Q.I. (Quem Indica), tem poder econômico, tem sacanagem. Mas não é só no mercado editorial, não é só no Brasil. Sejamos honestos: tem em todo lugar.

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Trabalhou, trabalhou, trabalhou e vai fechar com uma editora? Não assine nada sem consultar alguém que entenda destes contratos e este alguém não deve ser seu primo que fez direito ou seu sobrinho que quer fazer. Existem pessoas que fazem este trabalho, não é caro, mas é importante. Você dedicou horas, sonhos, esperanças, sua conta bancária, muita coisa nisso. Gaste R$ 300 para ter um contrato analisado.

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9. Whatpadd, Widbook, Issuu, Blogs, Redes Sociais: se eu tivesse 20 ou 30 anos, com toda certeza investiria meu tempo e minha perseverança conquistando meus leitores antes de lançar ‘oficialmente’ meu primeiro livro.  Demora, mas as chances de você conseguir publicar com uma editora te bancando, são muito maiores.  E o tempo é a chave, não se esqueça.

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Não sou pretensiosa e se você chegou até aqui, percebeu que não tenho as fórmulas mágicas, mas estou bem convicta de que tenho feito um bom trabalho e meu maior prêmio é ter aprendido tanto e ainda tenho muito a aprender. Ao longo deste processo, fiz novos amigos, recebi apoio e conselhos úteis de onde menos esperava,  mas também notei que a generosidade é escassa e que as pessoas compartilham pouco do que aprendem ou compartilham somente o que convém. É uma questão de crença pessoal: gentileza gera gentileza e até agora, não perdi nada com isso.


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14 comentários em “Os bons conselhos

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  1. Muito bom seu texto! Como escritor aspirante, com um livro na manga buscando a publicação, me senti bem informado. Não houve ofensa no seu texto, o que vejo na grande maioria dos textos sobre esse assunto, e percebi que você realmente quis ajudar, algo que falta no mundo. Parabéns pelas palavras e sorte na sua escrita! 😀

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  2. Andréa, que legal os seus conselhos! E fico feliz pela sua conquista, mérito apenas seu, de seu esforço e dedicação. Parabéns! Desejo conhecer suas publicações!

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  3. Oi Andrea. Como vai?
    Muito bom seu site/blog e seus artigos. Não conhecia. Já li alguns e adorei. Já fiz meu registro para receber novos artigos.
    Sou portuguesa e já não sou jovem – 1952. Quando li “meia idade” eu me confrontei comigo própria e me disse: “calça os chinelos, senta no sofá ou toma conta dos teus netinhos” (que ainda não tenho), e pára de sonhar.
    Eu gostaria de pedir a sua opinião, mas em privado. Procurei seu mail mas não encontrei. Pedir seu mail seria desrespeito? Eu penso que não mas também compreendo se recusar. Porque sei que não poderia escrever mails para todos os seus seguidores.
    Se disser “não” eu não levo a mal.
    Desejo-lhe muito sucesso com os seus livros e com o blog.
    Continuação de uma ótima semana.
    Abraço.

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  4. Oi Andrea.
    Fiz tudo direitinho mas recebo, de volta, uma mensagem enorme em inglês cuja maior parte não compreendo. Mas dá para compreender que não foi entregue. “Failled”. Eu não sei inglês mas penso que é isso aí.
    Se não der, paciência.
    Obrigada na mesma.
    Bjs.

    PS. Lembrei agora mesmo: e se enviasse um pequeno “Oi” para o meu e-mail. Está em baixo. Talvez assim funcione.
    Peço desculpa por incomodar.

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  5. Oi Andrea, amei o post. Também passei por aí, bem ainda estou passando na verdade. Fiz o mesmo, enviei meu livro para várias editoras e recebi as mesmas respostas. O mundo dos livros está saturado, bastante saturado. Comecei o meu blog por que um editor (de uma editora que demonstrou interesse em publicar meu livro) me animou a começar um blog. E aqui estou, fazendo uma longa revisão no livro, e mudanças de estrutura para deixa-lo mais atrativo. Acho que devemos acreditar no nosso trabalho. Além disso sempre está amazon e outras plataformas de autopublicação. A questão é que adoraria entrar em uma livraria e ver meu livro ali exposto. 🙂 Adorei o teu blog. Grande abraço.

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    1. Claudine, obrigada. É mesmo um ofício que requer sangue, suor e lágrimas. Acho mais triste ainda que somos desunidos. Vejo grandes possibilidades de troca, aprendizados, mas pouca gente disposta. De minha parte, fico à disposição para ajudar no que for preciso. Boa sorte! Bj

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