O pedido de casamento

casa comigo

Nosso namoro começou quando eu tinha 15 anos e ele 19.  E foi um  romance de cinema, cheio de brigas, ciúmes, reconciliações. Uma paixão avassaladora.

Entre idas e vindas, namoramos por quase oito anos e, quando terminei a faculdade, meu pai  veio conversar comigo sobre casamento.

Oi?

De repente já não adiantava se fingir de morto.  Meu pai dizia que deveríamos começar a pensar no assunto,  eu dizia que ainda não dava, até que ele se ofereceu para ajudar na compra de uma apartamento. O tipo da proposta que não dava para recusar.

Um ano depois, nos casamos, com tudo que tem direito (ou tudo que nosso escasso dinheiro conseguia pagar). Teve igreja, véu, grinalda e festa (que era o que importava!).

Faltou um detalhe, coisinha à toa.

Para simplificar, decidimos fazer o tal casamento ‘religioso com efeito civil´. Desta forma, sairíamos da igreja, casados aos olhos de Deus e da lei, certo? Errado. Eu não sabia (porque estava escrito em letras miúdas no verso de uma folha de papel e porque eu nunca tinha casado), que tínhamos trinta dias de prazo para levar o tal papel ao cartório e aí sim registrar o casório.

É óbvio que não levei e, um ano depois, descobri que não estava legalmente casada.

— Precisamos casar. Tem que marcar a data no cartório, chamar testemunhas, pagar, ou seja, tudo de novo  — contei num tom de voz que demonstrava o quanto eu  estava  apavorada com o fato de ainda ser solteira.

— O quê? Você tá brincando, né?— ouvi uma sonora gargalhada do outro lado da linha. — Só vou amarrado!

Fiquei puta, mas fui vencida pelos argumentos de que era só um pedaço de papel e blábláblá.

Resumo da ópera:  nos separamos quatro anos depois.

Fato consumado, tive que contar ao meu pai que não éramos casados.  Ele, advogado, queria porque queria legalizar a situação. A seu ver, só havia uma maneira de fazer isso: teríamos que casar e depois separar.  Vale lembrar que ainda não existiam as tais regras de relação estável.

Foi a minha vez de dizer: “Só vou amarrada”.

Papo vai, papo vem, alguns anos depois  reatamos.  Na época da reconciliação, surgiu o assunto de finalmente legalizarmos o tal casamento, que foi sem ter sido, mas dessa vez, nós dois estávamos de acordo: nem amarrados.

A parte 2 do casamento foi ótima e dura até hoje.  Vieram os filhos, as responsabilidades e soubemos segurar todas as crises que enfrentamos até aqui.

Contei essa saga toda, simplesmente para deixar claro, que nunca houve um pedido de casamento.  Nunca rolou aquele momento inesquecível, romântico, que toda mulher sonha. Aquele em que o cara diz “casa comigo”.

Há três semanas, exatamente numa sexta feira, eu estava com os nervos à flor da pele, a cabeça a mil por hora, para entrar em uma cirurgia, a primeira que eu decidi fazer, sem uma real necessidade médica, o que traz uma responsabilidade imensa para quem decide.

Eis que  alguns minutos antes de sair de casa, o meu príncipe, o pai dos meus filhos, o cara que está comigo há mais de 30 anos, me pediu, de joelhos, em casamento. Não teve plateia, estávamos só nós dois e foi totalmente lindo e inesperado.

Não dá para descrever o quanto fiquei emocionada, porque eu sabia que o pedido vinha carregado de significados e intenções,  todos expressos numa simples pergunta: “Casa comigo?”

Fui pega de surpresa, mas não titubeei, eu disse SIM e, dessa vez, ninguém vai precisar nos amarrar.

 

ps.: Nem precisa ser um pedido de casamento. Às vezes, um simples gesto de carinho, um olhar, uma gentileza, são capazes de mudar o dia de alguém. Ao invés de esperar que alguém faça, que tal você ser o protagonista da mudança?


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