A Insuportável leveza do ser

É preciso que se diga: são 43 quilos a menos para carregar.

A pessoa fica ousada, leve, quase insuportável.

Resolve, pela primeira vez na vida, cortar os cabelos bem curtinhos.  Sempre invejou aquelas mulheres seguras de si, com aqueles cortes de cabelo modernos, mas faltava coragem. Não tinha ideia de como a vida pode ficar mais simples, mais prática, mais divertida, com um simples corte de cabelo.

Vai para a piscina tomar sol. Celulite, flacidez? Se a Anita, que tem 20 anos a menos, não tá ligando para uns furinhos no bumbum, imagina ela, que tá se achando?

Vai Malandra!

Ela agora resolveu encarar sessões de massagem e RPG, simplesmente porque é bom demais. Nada de músculos doloridos, suor e cansaço. Acha que o prazer produz endorfina, não o contrário. Aos 47 anos abraçou aquela tal liberdade que os mais velhos contavam que viria, mas que ela, por mais que tentasse não entendia.

Descobriu que alguns sentimentos são iguais aos hormônios da tireoide: não podem ficar nem muito acima nem muito abaixo da média, senão dá ruim. Por exemplo: vaidade demais é uma escravidão, de menos é desleixo. Autoestima demais te faz ficar sem noção, de menos te deprime.

As rugas antes camufladas por algumas camadas de gordura resolveram sair do armário. Sabe o que ela fez?  Comprou um creme baratinho e aumentou o fator do filtro solar.  Insuportável, está curtindo as próprias rugas, vê se pode?

Continua sem dinheiro, mas não deixa de sonhar com aquela viagem, o celular novo, a roupa de grife. Samba daqui, samba de lá, atrasa uma, paga a outra e segue o bonde.

Resolveu que quer falar menos de política, não passar tanta raiva, não se expor, nem se decepcionar mais. Não conseguiu. Está tentando aceitar seus defeitos.

Precisa organizar os armários, as gavetas, os papeis.  Se conseguir, aí sim, vai ficar mais metida do que já está.

Não vai parar. Está cheia de planos, pronta para a briga. Quer ficar leve, de corpo e alma.

E conta, para ouvidos atentos, aquilo que todo mundo já sabe: a felicidade não mora ao lado. Está mais perto do que supomos.


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