Te amo. Eternamente, te amo.

 

BEST

Dividimos a mesa com duas meninas-moças, estudantes de um curso pré vestibular para medicina. Deviam ter no máximo dezoito anos, tímidas e emocionadas para ver Chico Buarque.

Na mesa ao lado, mãe e filha, ambas com cabelos grisalhos, eram só sorrisos para o cantor.  Elas me lembraram de outro show dele, em que conheci três gerações de fãs de uma mesma família: matriarca, filhas e  netas. Todas devotas do poeta.

A plateia Buarqueana é mesmo um espetáculo à parte.  Eu sou do tipo que me acabo em lágrimas, levo a mão ao coração, bem passional mesmo. Mas sei que muitos marmanjos, com barba na cara e copo de uísque na mão,  me acompanham no drama.  A gente canta junto, mas é quase um sussurro, para não atrapalhar o artista, para poder ouvi-lo cantar, para mostrar nosso respeito e devoção.

                                      BEST (1)

 

 

Fui apresentada ao Chico Buarque pelo meu pai, em 1977, quando aquele disco chegou em casa e não parava nunca de tocar na vitrola. Meus caros amigos tem gosto  de infância e, talvez por isso, ainda ache que é o melhor disco de Chico.  Daí por diante, foi amor que só cresceu. Em 1988 fui ao primeiro show, Francisco. Nesta  época, eu com dezoito anos, fantasiava encontrar com aqueles olhos, sonhava com ele, invejava a Marieta.  Mas o Chico gostava de castigar, dando longos intervalos entre um disco e outro, entre um show e outro e eu fui envelhecendo.  Casei, mas tinha um acordo com meu marido: se um dia eu encontrasse com Chico, tinha autorização para deixar rolar, porque com o Chico não seria traição, né? Mas nunca fui agraciada com um encontro desses. Que pena.

BEST (2)

Ele envelheceu – é claro que sim – e ficou muito parecido com meu pai. Aliás, eles têm a mesma idade. Infelizmente, meu pai não tem o vigor e a lucidez invejável de Chico, que pulou e até correu pelo palco no bis.  A voz continua impecável, a banda afinadíssima  e  o show transbordou elegância e beleza.  No final, uma mesa de garotões puxou o corro de Olê, olê, olá. Lula, Lula. O coro não teve adeptos, nem vaias, então eles emendaram: “Chico seu ladrão, roubou meu coração”.  Dessa vez, conseguiram mais vozes. O espetáculo à parte da plateia, seguindo seu curso.

Saí dali flutuando, tentando segurar aquele filme que passou da minha vida nas mãos, tentando abraçar toda poesia despejada sobre nós, mas sem conseguir. Me resta agora aterrissar com calma, retomar a vida e esperar pelo próximo encontro.

E até lá: apenas seguirei como encantado ao lado teu.

 

 


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