Os anos incríveis

Se você não leu os capítulos anteriores, clique na foto abaixo para acompanhar desde o primeiro.

           

Os anos incríveis

Meu apartamento, meu refúgio. Tudo tão feminino, tudo tão arrumadinho. E de repente, não mais que de repente,  vieram malas, objetos pessoais, cabides, a coleção de CD´s do Legião Urbana (a mesma que já existia em minha casa).

De um dia para o outro, meu espaço não era mais meu. Obviamente não era hora de perguntar até quando meu convidado ficaria em casa. Também não parecia correto dizer aos familiares, na Missa de Sétimo Dia do irmão do meu hóspede, que na verdade não tínhamos ‘voltado’, que eu era só uma “amiga” apoiando um “amigo”.

Apesar da tristeza, ele estava se sentindo em casa, de volta ao ninho.

Minha memória não é tão nítida sobre aquele tempo. Tudo meio borrado, confuso, caótico, como os móveis e objetos empilhados na sala. Nada era o que parecia.

Os dias foram se passando e quanto mais adaptado ele ficava, mais encurralada eu me sentia.  As amigas, confidentes fieis, não escondiam sua torcida para que ficássemos juntos, mas entendiam que eu tinha muitas coisas a resolver e insistiam que eu deveria procurar ajuda profissional.  Algumas crises de pânico depois, resolvi seguir o conselho e fui fazer terapia.

Os dias se transformaram em meses e eu continuava a me sentir presa no limbo. O passado me assombrava,  eu me preocupava demais com a opinião das pessoas e não conseguia confiar nele ou em nós  novamente.

Não houve um fato,  nada que fizesse com que minha opinião mudasse.  As coisas foram entrando no eixo lentamente: terapia, reflexão e a persistência do Amarildo.

Pensa num homem com um propósito. Pois é. Ele estava determinado a me provar que tudo podia ser diferente, que tínhamos a oportunidade de nos dar uma nova chance, de virar a página, seguir em frente.

Nasceu nessa época  a brincadeira do segundo casamento.  Eu não podia negar que aquele meu segundo marido, era bem melhor que o primeiro e já era hora de que eu percebesse que o que vivíamos não tinha nada a ver com nossa primeira experiência.

Alguns anos depois, mudamos de apartamento. Um bom sinal, já que estávamos fazendo planos para o futuro, planos a dois.  Era hora de sermos uma família.

Em 2007 chegou o João, depois de quase dois anos de tentativa.  Ainda faltava alguma coisa e em 2010, chegou o Vinícius, porque o João precisava de um irmão. Nossa família estava completa.

IMG_4056

2014 foi o ano de nos aproximarmos de Deus:  primeira Comunhão do Amarildo, nossa Crisma.  Quem diria, ninguém diria, mas chegamos aqui.

Exceto pelos contos de fada, nunca soube de ninguém que viveu feliz para sempre. Nosso dia a dia não tem nada de felicidade plena. Tem sim muita luta, muita coragem, muitas diferenças, mau humor, risadas, vinho e cerveja. Tem cansaço, obrigação, nascimentos, mortes, doenças, aniversários, rotina. De vez em quando, tem sexo também.

Tem o abraço dos amigos, tem saudade de quem não está mais aqui. Tem amor, tem ‘eu te amo’ todos os dias.

E não sei se você lembra, mas  lá no começo, no primeiro post da saga,  contei que nosso casamento no civil não valeu.  E meu marido, que é muito mais romântico que eu, me pediu em casamento, dois anos atrás.  Aceitei. (Na época, contei isso aqui no blog em O pedido de casamento)

Pois bem. Casei terça feira passada, 17 de novembro, pela terceira vez, com o mesmo marido. Anteontem fizemos uma linda cerimônia de renovação de votos, pelos 25 anos dos nosso primeiro casamento.  Confesso: me senti como uma noiva de primeira viagem. Chorei rios de lágrimas, me emocionei mais do que no filme do Freddy Mercury.  E, verdade seja dita, foi muito mais legal do que na primeira vez.

Hoje, exatos 25 anos depois do nosso sim, sei que estamos aqui porque nos amamos e repito a frase final dos meus votos, que citava a música de Gonzaguinha: “começaria tudo de novo outra vez, se preciso fosse, meu amor.

1542719665747

E como disse meu terceiro marido: “… nossa família e nossos amigos são a base de tudo. Sem eles, não chegaríamos até aqui. E com eles, temos certeza que nossa caminhada será muito mais tranquila.”

Um beijo e obrigada por reviverem comigo a minha linda história de amor.


Descubra mais sobre Pausa4fun

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

2 comentários em “Os anos incríveis

Adicione o seu

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

Descubra mais sobre Pausa4fun

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo